Fala NORDESTE

Foi no Nordeste do país que primeiramente a língua portuguesa se fixou em nosso território. O início da colonização portuguesa se deu justamente entre os estados de Pernambuco e Bahia, enquanto outras partes do país só viriam a receber a influência lusitana bem mais adiante.

Os dialetos mais aparentes podem ser definidos como “dialetos nordestinos”:

  • Do meio-norte (nortista ou maranhense): presente do Maranhão e Piauí;
  • Do norte ou cearense: presente no Ceará;
  • Do centro: presentes nos interiores do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe;
  • Do sudoeste (ou baiano do oeste): presente no interior da Bahia;
  • Do sudeste (ou baiano do recôncavo): presente do Recôncavo Baiano;

Metropolitanos: assim como no Recôncavo Baiano, há ligeiras diferenças entre o interior e as regiões metropolitanas dos estados como em João Pessoa e Recife, devido as recentes imigrações de outros estados

Os traços foneticos na região nordeste se encontram na abertura das vogais médias pré-tônicas [e] e [o] (que passam para [Ɛ] e [Ɔ]) que é típica dos dialetos desta região do Brasil, distinguindo-os nitidamente dos dialetos do Centro-Sul.

Há várias mudanças com os fonemas [ʎ] e [ɲ] (“lh” e “nh”):

  • Apagamento do “nh” antes da vogal “i” (p.ex., “rainha” > [hə’ĩə]);
  • Iotização do “nh”, em algumas situações, principalmente, na sílaba final com frequente apagamento da última vogal, geralmente [ʊ] (paninho > [pə’nĩ]);
  • Iotização do “lh” em sílabas medial e final em algumas palavras, particularmente “filho” (que é realizado como [fij]);
  • Contudo, aparece também com grande frequência a não-iotização, mas sim permanência, do “nh” e “lh” naquelas mesmas posições supramencionadas, o que parece ser influenciado em parte pela presença de vogais abertas ([a] [Ɛ] [Ɔ]) posteriores a esses fonemas.

Embora em decadência pelo aumento da escolaridade e por outras influências, há ainda muitos fenômenos de transformação fonética, principalmente nas zonas rurais, como apontados por Florival Seraine:

  • Aférese: “acostumado” > “custumado” [kuʃtu’madʊ]
  • Síncope: “xícara” > xicra [ʃikrə]
  • Epêntese: “cotovia” > “cutruvia” [kutɾu’viə]
  • Hipérteses: “ceroula” > cilora [si’loɾə]
  • Apócope: “ridículo” > ridico [hi’dʒik ʊ]
  • Prótese: “juntar” > “ajuntar” [aʒũ’ta]
  • Dissimilação: “manhã” > “menhã” [mẽɲə]
Dialeto do Nordeste

Termos característicos do Nordeste do País:

Mangar = zombar de alguém

Aperreado = angustiado, estressado.

Ó xente = interjeição que demonstra espanto, descontentamento, curiosidade.

Pitoco = botão

Bigu = carona

Bizu = dica de vestibular

Vôte = vou te esconjurar, vou te amaldiçoar.

Ixi Maria = interjeição de espanto, contraindo o termo Virgem Maria.

Jerimum = abóbora

Macaxeira = mandioca, aipim.

Canjica = cural de milho

Poema no dialeto nordestino

Alfabeto no dialeto nordestino

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